Lembro me até hoje de como era difícil sair para trabalhar e deixar Enzo e depois a Nina,  Quando Enzo tinha 2 anos o colocamos oficialmente na escola, deixava-o por lá e ele ficava feliz e sorridente.Na hora de buscá-lo era aquele chororô, não de saudades minhas não,  ele simplesmente não queria ir embora mesmo depois de passar o dia todo por lá parecia que ainda restava uma super vontade de brincar e se divertir. Fui muito feliz em ter colocado Enzo cedo na escola, mas confesso que ele pegou todas as viroses e bactérias possíveis para uma criança de 2 anos e isso me fez querer fazer diferente com a Nina(sabe como é né 2o filho? ) Voltei a trabalhar meio período, Nina tinha 6 meses e nessa época, diferente da época do Enzo, eu podia contar com a ajuda de uma pessoa muito querida que cuidava da Nininha.Ela amava a Val e lembra dela até hoje (com 3 anos), mas eu não contava com a ansiedade de separação, a hora de dizer o famoso “Tchau filhinha, mamãe vai trabalhar e já volta!” essa hora era de matar… Sim passei por isso com o Enzo também, eu não podia ir fazer xixi que ele chorava, não podia ir até a cozinha pegar um copo d´água que parecia que eu estava indo até a China e tinha dias que mesmo dar tchau para ele na escolinha  era difícil.Agora o adeus de casa me parece mais emocionalmente doloroso para nós mães. Sentimos como se estivéssemos negligenciando um filho, abandonando mesmo, saímos e  antes mesmo de ligar o carro já pensamos mil vezes se “estão ainda chorando?”, “irão parar de chorar ?”, “como sou uma péssima mãe”, “poxa, mas porque tenho que trabalhar?” e até chegarmos ao trabalho então, nosso coração já está partido em mil pedacinhos. Foi aí que criei aqui em casa uma técnica, para utilizar nessa fase do medo de que nós pais não voltaremos mais,  Com o Enzo, eu aplicava sempre que notava a insegurança e com a Nina passei a fazer todos os dias, pois ela sempre chorava para me dizer adeus. Antes de sair de casa sempre passava batom ( e essa era a hora de maior desespero dos dois, pois eles tinham certeza de que eu iria sair). Depois de passar o batom eu me abaixava na altura deles e dizia ” Mamãe vai trabalhar (ao supermercado,fazer xixi, ou até ali na China) e já volto. Vou deixar um beijo na sua mãozinha para você guardar, quando a mamãe voltar eu limpo e poderemos brincar mais um pouquinho tá bom ?”   No primeiro dia não via realmente mudança alguma, mas depois do 3o ou 4o dia ambos começavam a notar que eu sempre voltava, abraçava-os e falava :” Guardou meu beijinho?Agora vamos lá lavar e brincar?” Sim, sei o que você está pensando aí .Se o Enzo e a Nina passavam o dia inteiro, com a mão intacta?Sem poder lavar ou utilizar aquela mão do beijinho? Eu respondo, que só no começo, A verdadeira segurança não é depositada no beijinho e sim na certeza de que a mamãe sempre volta para ver se eles o guardaram, para limpar e brincar com eles. Com o passar dos dias eu chegava em casa e conferia beijos borrados, já sem marca ou sem cor, mas eu insistia em agradecer ” Obrigada por guardar o beijinho da mamãe,viu ?Eu sempre volto.” Passei a sair de casa mais tranquila, sem me sentir a pior pessoa do mundo e notei que essa atitude me ajudou não só nos momentos em que eu me ausentaria, mas  dentro de casa, com tarefas simples que antes de tudo isso, envolviam muito choro e medo de ficarem sozinhos. Claro que não deixava beijinhos o tempo todo, mas percebi que ambos adquiriram muita segurança ao descobrirem que eu sempre retornava. Até hoje funciona e mesmo Nina tendo 3 anos e Enzo 5 anos o beijinho de um ato de reforço de segurança passou para um ato de cuidado e amor. Muitas vezes quando vou sair e eles ficam com a vovó ou o papai eles me pedem, deixa um beijinho mamãe?Agora digam-me,  tem coisa mais deliciosa e fofa que isso? Quem utilizar a técnica do beijinho me marquem ?Quero ver as mãozinhas gordinhas cheias de bitoquinhas.Usem a #beijinhosDaCacau BeijosCacau