Esta semana o Conselho Federal de Medicina  divulgou que os médicos só poderão realizar as cesáreas eletivas da gestante a partir da 39a semana de gestação. O documento, que faz parte das novas regras previstas em uma resolução do CFM ainda prevê que caso a gestante opte por uma cesárea com data escolhida, ela deverá assinar um termo de consentimento livre e esclarecido de que afirma ter sido informada sobre os riscos de sua própria decisão. Eu li a notícia e pensei; – Ok, bacana.Com tal medida conseguimos impedir os 30% dos bebês que são retirados em cesáreas que acontecem de forma prematura, mas parei e pensei …Comemorar?Porque estamos discutindo isso mesmo? Vamos comemorar uma medida que agora oficializa um método que até semana passada era praticamente clandestino? Afinal cesárea não é uma via de parto e sim uma cirurgia, uma intervenção, muitas vezes necessária claro, mas nunca necessária de acordo com o signo do bebê, a data de viagem do médico, o dia que os parentes estarão por aqui para conhecer o bebê, a maquiagem que não borra para a foto, enfim todas essas infinidades de desculpas que existem para se pular algo que foi naturalmente definido até mesmo por Deus. Se eu acho que a mulher tem o direito de escolher como terá seu filho ? Sim eu acho!Sou defensora do: “Seu corpo, suas regras”, mas a maioria das mulheres que optam pela cesárea eletiva não sabem dos verdadeiros riscos que tal decisão pode causar tanto para mãe quanto para o bebê. Aliás dúvido que são verdadeiramente informadas.  Será que quando uma mãe fala;– Olha doutor estou querendo agendar minha cesárea para o dia X.Ele vai responder:– Claro querida, mas segue abaixo a lista de todos os malefícios de sua decisão ok? Riscos para a mãe:
1 – Cirúrgicos
– maior dor
– maior risco de infecção
– maior risco de hemorragia/transfusão de sangue
– maior chance de sequelas (cicatrizes, aderências, lesões de outros órgãos)
– maior tempo de involução uterina
– maior dificuldade de recuperação
– maior chance de placenta prévia em gestações posteriores
2 – Clínicos
– maior risco de tromboembolismo
– maior risco de oligúria/insuficiência renal aguda
– maior risco de hipertensão crônica pós cirurgia
– maior risco de edema agudo pulmonar pós cirurgia
3 – Puerperais
– maior risco de dificuldade de amamentação
– maior tempo de separação da mãe e bebê logo após o nascimento
– maior risco de dificuldade no vínculo com o bebê
– maior risco de depressão pós parto
– maior tempo de internação hospitalar
– maior chance de nova cesárea no próximo parto
 Malefícios para o bebê:
1 – Sistema gastro-intestinal
– dificuldades na amamentacão/não amamentação
– refluxo gastro esofágico
– intestino preso
2 – Sistema hematológico
– anemia
– icterícia
3 – Sistema respiratório
– asma
– bronquite
– doencas respiratórias infecciosas
4 – Sistema imunológico
– alergias
– baixa imunidade
5 – Sistema Neuro-motor
– deficit de crescimento
– atraso motor
– atraso intelectual (Qi)
– stress (do bebê), que gera aquele choro diário sem explicação no primeiro mês de vida
– insônia (do bebê) e consequentemente da mãe
 E então ele finaliza:– Pronto vamos assinar o termo de que mesmo reconhecendo tudo isso , você prefere marcar a cesárea? DÚVIDO.  Não consigo entender como perdem tempo “instucionalizando ” a cesárea agendada, se com tal atitude ainda apoiam 70% dos bebês sendo retirados antes da hora, e agora ainda de forma legalizada, mesmo tendo consciência de todos os riscos da cesárea para a mãe e os malefícios para o bebê de não passar por um trabalho de parto. Vamos perder tempo com medidas que mudem a forma de nascer no Brasil como: 1 . Campanhas de informação às mulheres e gestantes sobre a importância de entrar em trabalho de parto. 2. Mudança e aperfeiçoamento no ensino obstétrico das universidades brasileiras. 3. Reciclagem e aperfeiçoamento dos profissionais já formados na área, que atendem o parto nos dias de hoje. 4. Contratação de enfermeiras obstetras para auxiliarem os médicos e fazerem esse acompanhamento, assim como é fora do Brasil ( Na América do Norte, Japão, Oceania e Europa) 5. Remuneração adequada pelos planos de saúde e pelo Sus para a espera do trabalho de parto. 6. Salas e quartos adequados e individuais com privacidade para a gestante. 7. Possibilidade de analgesia sempre que necessário. 8. Inclusão das Doulas OFICIALMENTE dentro das salas de parto. 9.Reformulação de protocolos hospitalares baseados em atitudes mais humanizadas Agora legalizar a cesárea eletiva a partir das 39 semanas não tem como soar como um passo totalmente à frente. Eu Cacau doula, mãe e mulher quero ver o Brasil investir tempo em leis e medidas que vão mudar a forma de nascer por aqui, e não perder tempo criando limites dentro do que já é considerado errado.  Cacau Prado