Mamães e Papais,

Tudo bem?

 

 Já tem um tempo que tenho observado algo que me incomoda e para as mamães que eu atendo na consultoria de sono, eu faço questão de expor , mas talvez você aí que está lendo agora meu blog, nunca tenha sido atendida por mim, então vou colocar aqui meu ponto de vista. 

 

Desde que comecei a atender tenho sido mais observadora, é como se eu tivesse recebido um 7o sentido dentro de mim, tenho sentado ao final de todos os meses e estudado, a quantidade de casos de bebês que não dormem, seus motivos,as queixas dos pais, tipo de maternagem, vida que levam enfim todos os fatores que possam influenciar tal comportamento do bebê. E algo em comum que tenho notado por diversas vezes é a falta de comunicação entre mamãe/papai com seus bebês.

Ok, aí você vai me dizer que enlouqueci, afinal como se comunicar com um bebê de 2 meses? Como se comunicar com um de 1 ano e 6 meses que faz birra e se joga no chão? Parece difícil e muitas vezes pode soar impossível, mas não é!

 

Vivemos uma era de pura inquietação, somos ansiosos, agitados, temos os dedos incontroláveis para digitar emails, blogs, what’s app, mensagens, redes sociais e que não nos deixam muitas vezes tomar banho sem deixar de pensar em quantos emails poderíamos ter lido.Ou quantos vídeos do YouTube poderíamos ter assistido?quantos posts perdemos? Ou ligações que precisamos fazer.

 

Acordamos digitando, almoçamos/jantamos digitando, vamos ao banheiro digitando, respondemos emails no computador também digitando no celular, dirigimos digitando e o mais interessante é que em muitos dias, quem nos coloca para dormir também são os nossos celulares, emails ou seja lá qual for teu vício digital.

  

Tá, mas aí você me diz que quando está com os filhos, realmente está com os filhos e deixa os tablets, celulares e computadores de lado.Tá bom então, pode até ser mesmo,  mas que tipo de resposta você espera do teu filho em muitas situações? Respostas rápidas? Mudanças de comportamento ágeis? Obediência assertiva e facilitadora? Será que você  tem tido paciência de esperar o tempo do seu filho? 

 

Quando ele faz algo de errado com algum amiguinho , você fica falando no ouvido dele sobre a necessidade de ele ir lá pedir desculpas já? Quando ele está nervoso e se sentindo frustrado, você tem o tempo e paciência de esperar com que eles se acalmem e possam vir conversar com você? Quando eles se jogam no chão do shopping vocês tem a coragem de deixá-los no momento do chilique lá, aos berros no chão, sem medo de serem julgados por 3os ? Enfim, são muitas questões mas será que você tem cobrado do seu filho essa rapidez de informações, mesmo ele sendo somente uma criança? Pode ser que sim e você nem tenha percebido.

 

Quando coloco isso para os pais escuto muito: E como mudar? O que fazer ?

 

Bom, aí vem uma das dicas que funcionam bem ao longo de um treinamento de sono, e até na vida, quando o assunto é comunicar-se bem. Para nos comunicarmos bem, precisamos primeiramente entender o outro, para que exista a comunicação que é a troca de informações certo? .  

 

É quando peço aos pais para ” observar mais do que tomar atitudes” . Claro que não é para você se sentar e ver seu filho destruir uma loja de brinquedos enquanto você o “observa” , não mesmo! Mas o sentido de observar é você conhecer melhor seu filho, entender realmente em quais situações ele se frustra, quando ele fica irritado, ele tá calmo?ele dormiu Bem? Comeu Bem? Está triste ? Precisamos enxergar nossos filhos também como indivíduos que carregam sentimentos, gostos e humor. Só assim para entendermos o que dá certo com eles e o que não dá certo,  respeitando-os verdadeiramente, mesmo com suas diferenças. Com tal postura conseguiremos  derrubar essa barreira de Insegurança que muitas vezes nos persegue, por não sabermos como agir em certas situações, afinal essa insegurança não passa de uma consequência por simplesmente não conhecê-los tão bem.

 

Um bebê quieto no berço não é sinônimo de abandono, ele está chorando? Ele está sofrendo? 

 

Mamãe diz: “Mas meu Deus ele não dorme, está lá no berço de olhos abertos há 1 hora, ai que dó! ” 

 

 

   

E eu realmente digo, ai que dó será sair correndo para acudí-lo só porque ele está quieto esperando o sono vir , aí sim ele poderá se assustar, entender que o berço oferece algum perigo e insegurança, afinal o bebê pensa:”Sempre que Estou aqui e acordo, a mamãe vem correndo me pegar no colo, mesmo se eu não choro.” E então assim se dá início a  um vínculo negativo de bebê e berço, por pura falta de paciência em esperar o tempo do seu filho pegar no sono sozinho.Nós também ficamos na cama esperando o sono vir, porque com seu filho seria diferente ?

 

O exemplo acima é de um bebê que deita e fica quietinho, resmunga um pouquinho, mas sem choro. Para bebês que choram, ao serem colocados no berço voltamos na questão de que cada caso é um caso, cada família é de um jeito e aí só um atendimento mais específico que pode ajudar mesmo.

 

Mas muito mais gratificante que uma mãe feliz porque eu a ajudei, a ensinar o bebê a dormir, é sentir essa transformação nela, é escutá-la feliz com seu filho, porque ela sabe porque ele chora, sabe porque faz birra , ela antecipa algumas situações mais difíceis e torna tudo mais leve. Ao observá-lo com mais paciência, ela passa a verdadeiramente conhecer seu filho.

 

 

Beijos Cacau Prado