Lembro-me que assim que o Enzo nasceu eu não conseguia ter horário nem pra tomar banho.Claaaro que eu tomava banho, mas era na hora que dava, lavar a cabeça então era com o tempo cronometrado no relógio, afinal o marido chegava em casa eu corria pro banho,mas  eu tinha que correr antes que ele e o bebê começassem a chorar compulsivamente. Não posso reclamar do meu marido, ele sempre foi um pai maravilhoso, trocava fraldas, acordava de madrugada, dava banho e sempre me ajudava muito, mas quando a fome do Enzo chegava, não tinha chacoalho ou música que resolvesse o chororô do esfomeado.. Depois de exatos 4 meses eu estava acabada e desanimada.Eu havia esperado aquele famoso prazo de 3 meses que as pessoas vivem falando e que não fazem sentido algum, se você simplesmente senta e espera.e foi assim que fiz, esperava e só!Quando atingi o tal prazo de validade, do desespero,  me perguntava se minha vida se resumiria a isso para todo sempre:fraldas, conversas sobre cocô e amamentação.Nessa época eu vivia descabelada, sem planos para o futuro e um dia com mais calma conto do meu começo de DPP, aliás meu e do meu marido diga-se de passagem. Sim eu dormia pouco, e já sabemos que isso enlouquece qualquer ser humano, mas o que realmente acabava comigo era a falta de rotina, a sensação de insegurança de não saber como seria o dia seguinte.E olha que sou uma pessoa que digere bem imprevistos.Me recordo da angústia de não saber se eu conseguiria tomar banho antes ou depois do almoço, se daria tempo de almoçar tranquila, se esquentar a janta para o marido seria como decretar a 3a guerra mundial, se conseguiria falar com alguém ao telefone, enfim se eu conseguiria sobreviver a mais um dia nessa incerteza de acontecimentos. Foi então que resolvi pesquisar sobre as reais necessidades de um recém-nascido, além do leite materno , amor, colo e aconchego. Eu queria entender como o Enzo funcionava, porque uma coisa era clara, ele não funcionava como eu.Ele nunca tinha sono como eu, ou comia quando eu estava disposta a amamentá-lo, ou fazia cocô nas horas em que eu estava com tudo em mãos para trocá-lo.Muito pelo contrário, ele esperava o cocô para o momento em que eu estava pronta para sair, mas especificamente quando eu estava de bolsa na mão na porta de casa.Amamentar era tipo em qualquer lugar, lembro-me de uma vez que fui á um casamento de vestido longo e justo, e foi quando bateu a fome dele e ele começou a berrar que eu me dei conta de que ao vestir a roupa eu sequer havia pensado em como iria amamentar o pequeno.Corri para o banheiro e foi necessário rancar a roupa toda para alimentá-lo. Desde o começo Enzo me ensinou a lição de que ser mãe é perder o controle da situação e dar um jeito de retomá-lo com amor. Para entender meu primogênito e retomar as rédeas da minha vida, comecei lendo “A Encantadora de bebês”que me ajudou muito com a rotina dele.Apliquei muito do livro em casa e aprimorei com algumas técnicas do Dr.Harvey Karp. Durante 1 mês eu vi não só uma luz, mas um farol gigantesco no fim do túnel.Estava no auge da minha vida quando voltei a tomar banho e lavar a cabeça com calma, almoçar na hora do almoço, assistir a um filme e ainda ligar para uma amiga durante a tarde.O ápice foi quando comecei a conseguir fazer a unha e cabelo com dia e horário marcado, meu Deus isso era vida! Foi aí que então eu virei  “A louca da rotina” . O relógio era meu melhor amigo e os imprevistos e visitas de última hora eram recebidos como invasores do bom sono e da sanidade familiar. Comecei então a notar que meu medo de voltar ao tempo era tão grande que nem o momento presente eu estava vivendo direito, foi aí que conversando com o marido decidimos alinhar o que realmente valia a pena e quais eram os limites de sair da rotina com nosso bebê recém chegado. Muitas das minhas pacientes se transformam em “A louca da rotina” muitas mesmo, e é sempre o marido quem percebe.Então sempre utilizo essas posturas abaixo, como base da boa convivência e de coisas que não podem ser mudadas nesse comecinho de adaptação. Na foto:Dia em que o Enzo dormiu agarrado á uma caixinha de água de coco na praia.(5 meses) mesmo com os mandamentos viajávamos e fazíamos muitas coisas.  Os 7 mandamentos para a boa convîvência: 1o É sempre melhor receber os amigos em casa: durante quase que 6 meses eu comi pizza.Tanto é que tenho trauma de pizza, confesso!A pizza porque era prática, assim eu não precisava revezar a cozinha e o recém nascido.Mas sempre preferia receber todos em casa, assim eu dava banho, colocava o Enzo na cama e assim conseguia bater papo e ficar tranquila com as visitas.Os aniversários e comemorações eram geralmente em casa, assim também evitava o stress de fazer mala, tirá-lo de casa e depois ter que lidar com a dura madrugada.Claro que eu saía gente, mas perto da hora de dormir eu evitava e muito. 2o Horário de dormir é horário de dormir: Se vc for viajar para casa de parentes distantes já chegue lá explicando que a bateria do seu filho acaba as 20hs.Assim eles entenderão quando você levá-lo para domir.Se você estiver de férias em qualquer lugar organize-se para colocar seu filho no berço ou no carrinho para dormir quando chegar a hora.Você pode estar em um restaurante ou teatro, mas pode evitar os escândalos de cansaço. 3o Hora de acordar é hora de acordar:Já sei que você teve um encontro entre amigas na noite anterior que foi até as 4 da manhã, mas esteja preparada para  acordar ás 6 da manhã que é a hora do seu filho.Não adianta só naquele dia, tentar esticar o sono dele, as chances de você não conseguir são gigantescas. 4o As sonecas devem ser respeitadas e devem ocorrer sempre nos mesmos horários:No começo com o Enzo ele sonecava ás 9hs ou ás vezes ás 11hs, eu ficava esperando ele ter “sono”.Depois notei e conclui que ele tinha sono sempre nos mesmos horários, eu que não podia atrasar alguns minutinhos, porque isso irritava ele e assim entrávamos em um círculo maluco de cansaço que eram inimigos das sonecas. 5o Mantenha os horários de alimentação:Se não conseguir tenha sempre uma frutinha amiga que quebre o galho, até conseguirem parar para comer.O que NÃO dá, é esperar que seu filho de 8 meses entenda que vocês já estão chegando ao restaurante.Porque ele não vai entender!Prefira que ele coma a banana no carro com você e almoce mais tarde, á chegar transtornado no restaurante e não ter comido nem a banana e muito menos o almoço. 6o Antecipe-se em relação a rotina: Se forem na casa de alguém, já com previsão de voltarem tarde, preparem-se para dar o banho e colocar o pijama já na casa dessa pessoa.Eu sempre deixo pijama na casa da minha mãe e da minha sogra, assim elas dão o banho, e as crianças podem capotar no carro e irem direto pra cama quando chegamos em casa. 7o Coloque-se como mãe: Exponha suas filosofias e aquilo que escolheram para seus filhos.Suas mães e sogras já foram mães e agora podem ser avós, porque a mãe é você.Não tenha medo de falar que na sua casa o horário para a cama é as 20hs, não se importem com o julgamento, ele vai existir você se expressando ou não.Então melhor colocar para fora! Entendam que quando nasce um filho, nasce uma família, mas também nascem os pitacos, as opiniões e as verdades absolutas.Escute todos os conselhos, faça cara de conteúdo, mas leve para si aquilo que você realmente acha que faz parte do que você acredita e escolheu para seu tipo de maternagem. E o mais importante?Não se culpem, você está dando o seu melhor.os mandamentos podem parecer algo impossível de ser cumprido, mas uma hora tudo se encaixa e essas regrinhas serão automáticas e já farão parte do dia a dia de vocês.Olhe para trás e já note a transformação de vocês.  Cacau Prado