Esta semana ouvi muitos burburinhos sobre uma mãe que postou a foto de uma outra mãe, amamentando sua filha na bicicleta.O depoimento é cheio de julgamentos, preconceitos e opiniões que com certeza ninguém da Timeline dela do Facebook pediu. Não vou julgar, nem mencionar aqui o conteúdo do post porque não acho que irá edificar a vida de ninguém e também acredito que todas já tiveram acesso ao tal post. Ambas estão sofrendo com tamanha exposição, por um ato simplesmente impensado e tomado por impulso por parte de uma delas.Concordo que a opinião da mãe que postou é bem ofensiva, desinformada,  e até um pouco ignorante já que vivemos a era da informação né? Mas a opinião só se transformou verdadeiramente em uma ofensa a partir do momento em que ela a expôs para quem quisesse, e quem também não quisesse,  ler.Ela ainda incluiu a imagem de uma inocente criança e uma mãe que estava apenas sendo mãe.
Bom vamos lá, muitas de vocês pediram minha opinião, mas vou além disso.
 Começo explicando que eu ESCOLHI amamentar meus dois filhos, não foi uma obrigação. Aliás lutei em muitos momentos para manter essa decisão. Eu tinha sim dinheiro para comprar a melhor das fórmulas disponíveis no mercado até semanalmente e não foi o apoio do governo, a falta de recursos e  nem nenhuma campanha que me convenceu a amamentar, eu simplesmente sentia que era o correto, além de ter lido e estudado todos os benefícios da amamentação, eu carregava dentro de mim que era o melhor para ambos.Era uma convicção de que assim como eu tinha certeza do amor avassalador que vivia em mim, eu tinha certeza de que amamentar era dar o melhor de mim e para mim. Não me importei com a flacidez que me causaria nas mamas, com as acordadas de madrugada que eu não poderia revezar com o marido, com a falta de opção de roupas, já que o tetê tinha que ficar ali bem fácil. Em relação a praticidade, não consigo nem encontrar praticidade em uma mamadeira, acho que tudo é muito pessoal e relativo, porque para mim o prático era amamentar.Eu não precisava pensar em separar o pó do leite, nem encontrar ou esquentar água em qualquer lugar e muito menos lembrar de levar as mamadeiras, era tão simples, eles tinham fome e eu estava ali, sempre ao lado. Com o Enzo tive a oportunidade de curti-lo até 1 ano e meio e assim foi um pouco mais tranquilo manter a maratona de amamentação por  1 ano, até que em um dia doentinho ele escolheu parar de mamar.Mesmo assim sofri! Já no caso da Nina voltei a trabalhar depois de 5 meses, ela ainda mamava muito, mas me sacrifiquei(de verdade) acordando de madrugada para tirar leite e ainda aproveitava para extrair mais em meus intervalos do trabalho, só para deixar para ela no dia seguinte. E assim foi até os 2 anos.  Se eu faria de novo ? Sim, mil vezes, aliás um dos momentos que mais sinto saudades é esse: O olho no olho , as mãozinhas pequenas e fofas acariciando meu colo e meu cabelo, são momentos que guardo como um filme lindo em minha caixa de memórias de tirar o fôlego.  Já disse que poderia comprar o leite artifical e não acho que soa prepotente eu assumir isso .Nâo amamentar seria uma opção somente se eu não conseguisse de maneira alguma e não foi o que aconteceu. Já li milhares de posts falando sobre a importância da amamentação.E de tudo que li o que faltou é meu real recado de hoje. Ninguém falou de algo que vem me incomodando há algum tempo. Somos TODAS MÃES. O pior de ter que ler tamanha bobagem por parte da Karina foi descobrir que ela é mãe também.Poxa, ela passou por um pós parto, será que não sofreu quando decidiu não amamentar? Será que não teve leite, como dizem por aí? Será que foi tranquilo escolher dar ao seu filho a fórmula? Será que nunca teve dúvida alguma em relação a maternidade?Ou insegurança?Dúvido. Foram essas questões que mais me machucaram.Vivemos um tempo em que mães apontam dedos, mãos e punhos para outras mães, ninguém respeita ninguém, onde foi que os pais da nossa geração, erraram? Não foi assim que minha mãe e meu pai me ensinaram. A Karina, a Maria, a Renata, a Paula  julgaram a maneira como outra mãe que elas nem conhecem, cria e trata sua filha? Isso acontece sempre! Queria entender em qual capítulo da vida, que passou a ser enxergado com uma “opinião” você julgar, expor e falar mal assim do outro em público? E ainda nesse caso, sem a pessoa nem saber que assim estão fazendo?Tudo de graça e de maneira maldosa, bastou um passeio de bicicleta amamentando que pronto, tá autorizado vai lá pode falar e postar. A palavra respeito, logo será retirada do dicionário. Não importa se você amamenta, se você dá fórmula, se você dorme com seu filho na cama, se você o coloca no colchão, se ele dorme em uma rede, se você dá açúcar, se você não dá açúcar, se você o colocou em uma creche, se você não colocou, se você tem uma babá, se ele fica na avó, se você faz tudo sozinha, se ele toma chá, se ele não toma chá, se você medica, se você não medica, se você começou com 3, 4, 5, 6 meses ou 1 ano a alimentação dele, se ele assiste tv ou não, se ele utiliza aparelhos eletrônicos, se você viaja sem ele, se você não viaja sem ele. Isso tudo aqui em cima, é um problema SÒ seu e do seu companheiro. Deus mandou o Enzo e a Nina para que eu decida com meu marido e os profissionais que escolho, o que é melhor para eles.Se eu pedir sua opinião significa que eu quero ouvir, mas agora não dê a tal “opinião” assim de graça no facebook ou em qualquer outra situação porque isso não é liberdade de expressão, o nome disso é “SE METER ONDE NÂO FOI CHAMADO” ou “INTERFERIR NA VIDA ALHEIA”  e muitas vezes isso também é  “FALTA DE AMOR AO PRÓXIMO” e falo isso porque dentro do amor estão o respeito, a união e o cuidado com o outro.Cadê? Mães precisam entender que cada uma sofre em um ponto. Algumas com o sono, outras com alimentação, outras para educar e antes de apontar o dedo para a outra, lembre-se de que você  já deve ter passado por algo parecido, só mudou o assunto ou a situação. Vamos cuidar mais de nossos próprios filhos e darmos a eles uma lição de vida, de como crescer e lidar com diferentes tipos de maternagem e famílias.Eu estou tranquila de que tenho dado o meu melhor. Não consigo ter certeza do que vou colher no futuro porque estou falando de duas vidas que tem opiniões e livre arbítrio para escolherem, mas tenho paz no coração de que continuarei com pessoinhas especiais, pois tenho os ensinado no caminho que acredito ser o certo, minha parte tenho feito.   E em relação aos outros, ás vezes o que é bom pra mim, não vai  funcionar para você.Divido muitas vezes o que faço que dá certo por aqui, mas isso não significa que essa é a verdade absoluta. Já pararam para pensar que no futuro da geração dos nossos filhos, com a diversidade familiar que encontramos nos dias de hoje, quem vai se sair melhor na vida profissional e pessoal são aqueles que respeitam essas diversidades? São aqueles que sabem agir, se comunicar e marcar a vida positivamente de todos,?Isso independente de cor, raça, religião ou orientação sexual. No futuro irão se destacar aqueles que souberem amar a todos., porque tá aí um perfil que já vi que estará escasso na próxima geração, sabe porque ?Porque nossos filhos aprendem pelos nossos exemplos e não pelo que falamos. Para pensar Cacau